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23 fevereiro 2013

Moda x Estilo

Era sempre a mesma discussão: “Chinelo? Sério Milena, vai colocar outra coisa, chinelos são tão antigos! Principalmente esses, era pra serem brancos, não bege.”

Essa era minha mãe, aprovando as roupas que eu estava usando, mas sempre com o discurso anti-chinelo. Bem, não é culpa dela ela se preocupar tanto com isso, já que estávamos no Brasil.


04 julho 2012

Gabriela e as piriguetes

Dia desses entrei em um site para ver meu e-mail e me deparo com uma charge sobre a novela "Gabriela", da obra "Gabriela, Cravo e Canela" de Jorge Amado.

Lendo abaixo da charge os diversos comentários de desprezo e ódio, inclusive em relação à atriz, não pude evitar de ficar um pouco decepcionada com as pessoas. De novo.

Juliana Paes é "Gabriela". Fonte: Weheartit

Falando que a novela é "putaria" e coisas do gênero, comecei a pensar em como as pessoas são hipócritas. Ou pelo menos, como são crentes na Teoria da Relatividade de Einstein. Não consigo imaginar o motivo que leva pessoas a darem audiência para um programa que usa mulheres como bonecos de teste, como o Pânico, mas acharem errado mostrar insinuações de sexo - no devido horário - entre um casal apaixonado.

É engraçado como ninguém acha feio quando temos na televisão e em qualquer outro lugar mulheres usadas como objeto a ponto de elas mesmas se chamarem de "mulher fruta". Perdem completamente sua identidade: seu nome, sua personalidade, sua naturalidade... tudo para conseguirem chamar a atenção para o seu corpo. Porque??? E nem vou começar a falar sobre as mulheres em propagandas de cerveja que já duram anos. Ridículo!

Aconteceu também no Brasil há algum tempo atrás a "Marcha das Vadias", que tem um proposito inicial que eu entendo e apoio: mulheres que querem liberdade para se vestir e se portar como quiserem, sem serem vitimas de homens e ainda acusadas de terem provocado situações de assedio. Porém, vi muitas imagens de mulheres que não devem ter entendido o recado. Mulheres que quiseram mostrar mais o seu corpo para se promover do que seus ideais. É até irônico querer pedir respeito quando elas mesmas não se respeitam. Acho que entenderam errado ou levaram o nome da marcha muito a sério.

De qualquer maneira, eu gosto de assistir "Gabriela". Acho muito interessante ver como as coisas aconteciam no passado, principalmente os vários tipos de mulheres: sensuais, românticas, submissas ou revolucionarias, de personalidade forte. De qualquer maneira, ver que de um mulherão com uma malicia até mesmo inocente fomos parar nas frutas e vadias, me da até um desanimo para o futuro.

Milena

17 março 2012

Não mate a língua portuguesa

Como toda pessoa da minha idade, eu passo muito tempo na frente do computador. Seja em redes sociais, seja lendo e-mails, seja lendo artigos e matérias, seja lendo sobre o tempo ou o novo corte de cabelo de alguém famoso, eu sempre me deparo com algo difícil de aceitar: os milhares de erros de escrita em comentários, atualizações de status e outros.

Não posso dizer que meu português é perfeito, até porque muitas vezes eu não tenho certeza quanto à concordâncias, acentuação, crase ou situações de "ç, s, ss", por exemplo. Mas temos ferramentas que auxiliam em caso de dúvida, como o Word ou o Google, onde basta jogar a palavra em questão e a versão correta irá aparecer na tela.

Porém, os erros que me deixam mais "aborrecida" - como diria a minha avó - são aqueles propositais. Repito: não sou perfeita quanto a isso, já tive minha fase pré-adolescente onde o uso do "x" teve seu auge (ninguém lembra da fase "miguxa"?), mas alguém tem que dar um basta à situação! O que eu vejo hoje, além do uso excessivo de símbolos é a colocação de letras repetidas nas palavras. Você pode não ter percebido, mas com certeza já leu algo do tipo "eeuu goosttoo dee vooccee". Nossa língua já é complicada o suficiente, não precisamos deixá-la completamente sem nexo.

Quem foi que começou com essa história de que escrever errado é bonito? E qual o motivo de estudamos tantos anos de português na escola se quando viramos "aborrecentes" é bonito ser desprovido de qualquer conhecimento do próprio idioma? Eu não sei vocês, mas eu fico completamente envergonhada com situações assim. A chamada "vergonha alheia". E o pior: sempre vão culpar os professores, ou a adolescência, ou os amigos, ou...

Morando agora em outro país e aprendendo o idioma local, eu posso perceber que a maneira como eu aprendo as palavras é exatamente a maneira como elas são escritas por todos: jovens, adultos e crianças. É também como são pronunciadas. Ninguém aqui acha feio pronunciar o "s" do plural nas palavras. Eles acham normal ... eu também!

O pensamento de algumas pessoas é: "se eu falar ou/e escrever corretamente, vão dizer que 'estou me achando'", quando o pensamento deveria ser: "se eu falar ou/e escrever errado, vão dizer que eu sou ignorante" ou "se eu falar ou/e escrever corretamente, estarei respeitando meu idioma".

Eu sei, é difícil. Não é preciso se tornar um professor Sérgio Nogueira do dia para a noite, mas, por favor, desista da ideia de que estar errado é bonito. Pior do que estar errado é não tentar corrigir o erro.

09 março 2012

De boas intenções o inferno está cheio

Todo mundo que me conhece bem sabe que eu adoro o seriado "Friends", que mesmo antigo e mesmo que eu tenha assistido mais de 10 vezes os mesmos episódios, ainda me faz rir.

Em um episódio dois dos personagens - Phoebe e Joey - estão discutindo sobre boas ações. Joey afirma que não existem boas ações altruístas, pois mesmo se a pessoa tem a intenção de ajudar alguém ou alguma coisa, ela está na verdade fazendo isso para si mesma, para que possa se sentir bem com essa boa ação.


Vídeo do episódio de "Friends"

Como o seriado é uma comédia, na hora eu não fui a fundo no pensamento. Um dia depois fui à Berlim para providenciar certos documentos, e enquanto esperava o trem na estação para voltar para casa, resolvi comprar balinhas em forma de coração para o meu noivo. Quando cheguei em casa entreguei as balinhas para ele, esperando milhões de "obrigada!" e "você é um amor!", que foram de fato ditos.

Porém, quando ouvi essas palavras fiquei orgulhosa, e o pensamento de "Friends" voltou. Eu sabia quando comprei as balas que receberia elogios por isso. Eu sabia que seria "bonitinho" comprar balas em forma de coração. Eu sabia que ele pensaria "nossa, mesmo com um dia cansativo ela ainda lembrou de mim". Eu pensei em todas essas possibilidades, mas em momento nenhum eu pensei que ficaria feliz mesmo não recebendo nenhuma resposta.

Fui obrigada a concordar que não existem boas ações que não sejam egoístas. Aí com certeza alguém vai dizer: "Mas e as pessoas que fazem caridade?" e a minha resposta é: mesmo sem nenhum retorno financeiro, eu duvido que alguma pessoa se sinta mal fazendo o bem, e logo, está caindo novamente no egoísmo. Acredito que desse pensamento foi formulado o ditado "De boas intenções o inferno está cheio".

Não, eu não estou dizendo que ninguém mais deveria praticar boas ações, o que eu estou dizendo é que deveríamos nos concentrar na ação em si, e não no retorno que ela pode trazer. Mesmo sendo ambiciosos, devemos lembrar que não somos caçadores de recompensas e às vezes precisamos nos contentar com o que merecemos ganhar - mesmo que seja o silêncio -, e não com o que esperávamos receber.

05 março 2012

Sobre Barbie e feministas

Li ontem uma reportagem no Yahoo dizendo que feministas estão declarando guerra à boneca Barbie, já que tem aparência magra e por isso é considerada pelas mesmas como anoréxica.

Sempre tive meu lado Emmeline Pankhurst, dizendo que nenhuma mulher precisa de um homem para ser bem sucedida. Ainda acredito nesta e outras ideias feministas, porém algumas coisas devem ser reconsideradas.

Lembro que quando brincava de Barbie eu me chamava Brenda, morava em uma mansão, tinha milhares de roupas e sapatos rosa de salto alto, trabalhava, estudava na "Universibarbie", viajava e dirigia meu conversível (que era a escada da minha casa). Como você pode ver, na minha história eu era praticamente a mulher maravilha, ou Barbie maravilha.

Quando parei de brincar, comecei a fazer quase tudo que fazia com minha Barbie, mas dessa vez na vida real. Estudei, trabalhei, viajei e continuo fazendo tudo isso e mais para conseguir minha mansão, meu conversível e minhas roupas e sapatos.

Barbie morena pronta para viajar

Acredito seriamente que a maneira como você age na infância, a educação que você tem e inclusive os seus brinquedos preferidos podem influenciar na formação do seu caráter.

Convenhamos que o mundo está ficando muito chato! Se você come bem, vai ficar obesa, se come moderadamente, é anoréxica. Se não tomar café não tem energia, se tomar seus dentes vão amarelar. Se você assistir um filme, deveria estar lendo um livro, se está lendo um livro, perdeu o filme do momento. Se você está solteira, é encalhada, se está namorando ou casa, não aproveita a vida. Brincadeira na escola é bullying. Aluno que vai mal em prova tem dislexia. Se você mudar de humor "do nada", tem transtorno bipolar. Se gosta de ficar em casa, tem síndrome do pânico.

As feministas e todos os outros rabugentos de diversas categorias que me perdoem, mas é preciso simplesmente ignorar certas coisas. Já diz o ditado: "ignorância é uma bênção". E às vezes é mesmo. Nem tudo é ruim, feio, causador de traumas ou afins. Uma menina brincando de Barbie pode ser vista como uma futura loira fútil com lipoaspiração na barriga e muito silicone, correndo atrás do Ken. Ou, pode simplesmente, se tornar uma escritora de blog. ;)